Esse é um relato verídico que, de tão fantástico, nem iria me dignar a escrever não fosse a insistência de minha mulher, que simpatiza profundamente com a “personagem”. É certo, porém, que muitos de vocês irão considerá-lo somente mais um conto em razão da pouca verossimilhança, coisa que não censuro, mas que por ossos do oficio tenho que informá-los como suposição incorreta.
Digo-lhes já que a veracidade já começa a vacilar na descrição do homem que participará da nossa história. Primeiro por que ele é natural do Acre, estado que , até então, acreditava existir apenas na imaginação de geógrafos e escritores perturbados, e que desde criança sonhava em se tornar intelectual. Por isso aos doze anos já havia lido toda a obra de Machado de Assis, Eça de Queiroz e Dostoievsky se tornando alvo das atenções e admirações das professoras no seu colégio.
Mas nem só de amores vivia aquele homem que, depois de servir durante anos como alvo das chacotas entre os colegas da sua idade (as crianças já eram cruéis naquela época), mudou-se para o Rio de Janeiro, afim de incorporar toda a cultura brasileira que acreditava haver naquele lugar. E munido de uma mochila e vários de seus mais queridos livros desembarcou na rodoviária da imaginada cidade maravilhosa.
(Acabo de perceber, porém, que ainda não informei o nome dessa personagem, desculpem a minha desatenção, mas esse também é tão fantástico que prefiro me abster de fornecê-lo, sigam então para o próximo parágrafo).
Foi então ele para a casa de Geraldo, primo distante que queria ser escritor e se encantava com seu conhecimento sobre literatura, e lá chegando foi prontamente instalado no quarto dos fundos por aquele que durante anos seria seu protetor.
Geraldo o apresentou ao mundo, a roda de amigos escritores, músicos, pintores e a mim, que cheguei a me tornar amigo próximo de tão fantástica criatura. Nesses meios ele era adorado, quase idolatrado, mas perante o resto do mundo permanecia subjugado a brincadeiras perversas que por três vezes tiraram-lhe o ganha-pão. Deixando-o cada vez mais perturbado, até que certo dia pirou completamente, deixando a mim e a muitos intrigados com a sua trajetória posterior.
Primeiro ele, que sempre fora vegetariano, passou a comer apenas carne bem passada, ao ponto, mal passada, até que, já no inicio de seu surto total, comia apenas carne crua, devorando cada pedaço como um animal. Em relação ao desgosto dos amigos e do primo que tanto o estimavam respondia dizendo que o homem nunca deixará de ser animal e todas as informações por ele criadas seriam apenas subterfugidos para não declarar abertamente sua inferioridade perante a mãe natureza, e o pior, perante a si mesmo, finalizando com sua última suposição intelectual “o homem nunca foi digno de se tornar pensante, e aqueles que ousam alcançar tal dádiva são logo apedrejados por seus semelhantes, tentemos então o caminho oposto, e alcançaremos a nossa essência, conquistando a simpatia da massa”.
E perseguindo essa idéia determinado se mudou da casa do primo, e fora morar em um barracão, afastado da “civilização” abdicando de luz elétrica, água tratada e muitos outros benefícios, quase alcançando o estágio animal.
Somente depois de quatro anos retornou, bestializado, ao Rio de Janeiro buscando a ajuda do primo para uma candidatura a deputado federal. Horrorizado com o aspecto do primo Geraldo só concordou com tal disparidade, caso aquela criatura se dignasse a tomar um banho por dia,e fazer sua higiene pessoal, coisa que o outro concordou relutantemente.
Foi então que Gê convocou os antigos amigos para ajudá-lo a lançar aquele que tinha se tornado um mentecapto. E foram-se mais alguns meses até a esperada eleição.
Mas o que mais chamava a atenção em meio a toda aquela agitação dos preparativos foi observar como “Ele” conquistava a simpatia por todos os lugares por onde passava. Sua maneira de falar era quase animalesca e seus modos fariam corar a maioria das damas da alta sociedade, mas em geral era extremamente bem recebido,ao contrario do que acontecia aquele intelectual franzino que a anos apareceu na cidade.
Agora havia se tornado uma personalidade, as mulheres o adoravam, os homens o invejavam, mas nunca se fazia ouvir um protesto (ou brincadeira) contra aquele ser, todos queriam seu respeito e amizade, mesmo que para isso tivessem que se rebaixar a meros bajuladores.
Acabou eleito com mais votos que o governador, cargo que acabou ocupando após alguns anos, chegando hoje ao cargo de presidente do Brasil, e sem oposição, a não ser de alguns intelectuais, antigos amigos, que não passam apenas de meia dúzia de gatos pingados.
É engraçado relembrar esse passado, parece que se passaram séculos dês do dia em que o conheci. O grande problema, porém é que, como disse no primeiro parágrafo, minha mulher tem uma extrema admiração por ele (como muitas mulheres ao longo do país), e desde que contei a ela a história deste tão afamado personagem público ela está me perseguindo pedindo que a escreva de alguma maneira, e o pior, não me deixando comer nada alem pedaços de carne crua, o que, comecei a constatar, está fazendo grande mau ao meu vocabulário...
sábado, 1 de dezembro de 2007
O Olho
Fora um convite especial que o fizera ir até a casa do amigo naquele dia, porém não se apresentava especialmente feliz naquela noite. Acontece que seria uma noite de apresentações entre passado e presente (coisa que sempre o incomodava), já que havia muitos anos não voltava à sua cidade natal e durante esse tempo Juninho (o amigo) envelhecerá e se casou, com a mulher que hoje lhe seria apresentada.
Mas por que não há como fugir destes tipos de compromissos sem que a consciência não pese, e por que a saudade é algo que sempre nos impulsiona a bobagens do gênero Carlos colocou seu melhor terno e foi-se no carro locado, reparando na nova rua velha que um dia já foi seu caminho de casa.
E como se fosse natural estacionou o carro em baixo da árvore (velha ou nova? Não saberia dizer), e tocaria o mesmo interfone da última vez, não fosse o portão que agora era verde. Mas não lhe peça para contar como chegou ao apartamento 701 que ele ficou brincando de pique-pega na cabeça até apertar (só Deus sabe como) a campainha da casa do amigo.
Veio então um homem, de cara barbada, atender, como que para lhe provar que o tempo havia passado, abraçando-o como antigamente, só para confundir mais sua cabeça.
Sem formalidades que ele era de casa foi apresentado à esposa, que com algumas formalidades o cumprimentou sorrindo, formosa e meiga, como faz as boas mulheres casadas com desconhecidos conhecidos...
E ele acabou reparando em seus olhos,cor de mel, como os de uma antiga namorada.
Mas tudo estaria bem, não fosse a esposa ir até a cozinha pegar algumas cervejas (enquanto os amigos se acomodavam nos sofás a conversar sobre a vida) e voltar como um globo ocular gigante, com três garrafas enroladas em seus cílios.
Tal visão seria o suficiente para desesperar qualquer outro homem, Carlinhos porém buscou primeiro apoio na expressão do amigo, e percebendo que tal se mantinha impassível adotou uma expressão facial semelhante e pegou sua cerveja. Afinal, não se podem cometer gafes em encontros como este, e de que importava que a mulher fosse um olho? Era um olho educado, que lhe buscará uma cerveja, portanto não tinha com o que se preocupar.
Porém, seria cinismo afirmar que a cerveja não o ajudou um pouco até se acostumar com a situação vivida.
Todavia seus companheiros não pareciam dar grande importância ao fato, e continuavam a lhe contar os fatos cotidianos da vida de um casal, como no dia em que foram pescar e a mulher não sabia como colocar isca no anzol e acabou por cair do barco, voltando encharcada para casa (passaram então dois meses sem comer peixe). E riam-se das histórias do Carlinhos (Juninho pela boca, a esposa pelas pálpebras), fazendo então a noite passar.
Lá pelas tantas eles concordaram em colocar uma música, das antigas, para se lembrarem dos bons tempos, e pouco importava que fosse um olho, ainda assim ela lhe parecia agradável, tanto que Carlos ficou a dançar e conversar com a criatura enquanto o amigo ia ao banheiro.
Entretanto ela era boa demais, e antes que ele pudesse dar pela coisa já estava dançando colado à sua pupila, escutando-a a falar coisas sobre o mundo ao seu ouvido de uma forma carinhosa e bonita, que o deixava arrepiado. E quando Juninho chegou do banheiro ouve certo desconforto entre os dois, quebrado com a promessa da mulher de ir pegar um conhaque na cozinha.
E um pouco envergonhado se pôs a conversar com Junior sobre aquela vez que o diretor quase os pegou com duas namoradas dentro do laboratório de química. Conversa que foi logo alterada quando apareceu a porta uma criatura com quatro caras e cinco bocas, que ele logo deduziu como sendo a nova forma do “olho”, logo agora que ele já estava acostumado a travar conversação com um globo ocular gigante.
Mas pouco importa, pelo menos era uma forma humanóide, e afinal essa lua, esse conhaque, botava-o comovido como o diabo. Chegará então àquela hora da bebedeira em que todos se amam, e dizem o quanto são amigos, a falta que cada um lhes faz (esse principalmente entre Carlinhos e Junior, já que a mulher não conhecia direito o amigo de seu marido).
E como depois dessa troca de palavras a conversa começa a morrer já era hora do amigo ir embora, assim o fez, entre abraços beijos e promessas de volta, para colocar o resto do papo em dia.
Desceu então pensando em que noite estranha acabará de ter, e já no carro, ao lado da arvore (era velha, tinha certeza agora), percebeu, acabara de conhecer a namorada com a qual quase foi pego pelo diretor.
Não havia dúvida, o olho, a boca, o safado do Juninho! E rindo-se ligou o carro locado, e foi reparar na velha rua nova.
Mas por que não há como fugir destes tipos de compromissos sem que a consciência não pese, e por que a saudade é algo que sempre nos impulsiona a bobagens do gênero Carlos colocou seu melhor terno e foi-se no carro locado, reparando na nova rua velha que um dia já foi seu caminho de casa.
E como se fosse natural estacionou o carro em baixo da árvore (velha ou nova? Não saberia dizer), e tocaria o mesmo interfone da última vez, não fosse o portão que agora era verde. Mas não lhe peça para contar como chegou ao apartamento 701 que ele ficou brincando de pique-pega na cabeça até apertar (só Deus sabe como) a campainha da casa do amigo.
Veio então um homem, de cara barbada, atender, como que para lhe provar que o tempo havia passado, abraçando-o como antigamente, só para confundir mais sua cabeça.
Sem formalidades que ele era de casa foi apresentado à esposa, que com algumas formalidades o cumprimentou sorrindo, formosa e meiga, como faz as boas mulheres casadas com desconhecidos conhecidos...
E ele acabou reparando em seus olhos,cor de mel, como os de uma antiga namorada.
Mas tudo estaria bem, não fosse a esposa ir até a cozinha pegar algumas cervejas (enquanto os amigos se acomodavam nos sofás a conversar sobre a vida) e voltar como um globo ocular gigante, com três garrafas enroladas em seus cílios.
Tal visão seria o suficiente para desesperar qualquer outro homem, Carlinhos porém buscou primeiro apoio na expressão do amigo, e percebendo que tal se mantinha impassível adotou uma expressão facial semelhante e pegou sua cerveja. Afinal, não se podem cometer gafes em encontros como este, e de que importava que a mulher fosse um olho? Era um olho educado, que lhe buscará uma cerveja, portanto não tinha com o que se preocupar.
Porém, seria cinismo afirmar que a cerveja não o ajudou um pouco até se acostumar com a situação vivida.
Todavia seus companheiros não pareciam dar grande importância ao fato, e continuavam a lhe contar os fatos cotidianos da vida de um casal, como no dia em que foram pescar e a mulher não sabia como colocar isca no anzol e acabou por cair do barco, voltando encharcada para casa (passaram então dois meses sem comer peixe). E riam-se das histórias do Carlinhos (Juninho pela boca, a esposa pelas pálpebras), fazendo então a noite passar.
Lá pelas tantas eles concordaram em colocar uma música, das antigas, para se lembrarem dos bons tempos, e pouco importava que fosse um olho, ainda assim ela lhe parecia agradável, tanto que Carlos ficou a dançar e conversar com a criatura enquanto o amigo ia ao banheiro.
Entretanto ela era boa demais, e antes que ele pudesse dar pela coisa já estava dançando colado à sua pupila, escutando-a a falar coisas sobre o mundo ao seu ouvido de uma forma carinhosa e bonita, que o deixava arrepiado. E quando Juninho chegou do banheiro ouve certo desconforto entre os dois, quebrado com a promessa da mulher de ir pegar um conhaque na cozinha.
E um pouco envergonhado se pôs a conversar com Junior sobre aquela vez que o diretor quase os pegou com duas namoradas dentro do laboratório de química. Conversa que foi logo alterada quando apareceu a porta uma criatura com quatro caras e cinco bocas, que ele logo deduziu como sendo a nova forma do “olho”, logo agora que ele já estava acostumado a travar conversação com um globo ocular gigante.
Mas pouco importa, pelo menos era uma forma humanóide, e afinal essa lua, esse conhaque, botava-o comovido como o diabo. Chegará então àquela hora da bebedeira em que todos se amam, e dizem o quanto são amigos, a falta que cada um lhes faz (esse principalmente entre Carlinhos e Junior, já que a mulher não conhecia direito o amigo de seu marido).
E como depois dessa troca de palavras a conversa começa a morrer já era hora do amigo ir embora, assim o fez, entre abraços beijos e promessas de volta, para colocar o resto do papo em dia.
Desceu então pensando em que noite estranha acabará de ter, e já no carro, ao lado da arvore (era velha, tinha certeza agora), percebeu, acabara de conhecer a namorada com a qual quase foi pego pelo diretor.
Não havia dúvida, o olho, a boca, o safado do Juninho! E rindo-se ligou o carro locado, e foi reparar na velha rua nova.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
A Preguiça
Aqueles que conhecem meus hábitos de leitura sabem da fascinação que tenho pela narrativa de Fernando Sabino, em especial por seus escritos da juventude e por uma grande quantidade de contos exímios que já tive a oportunidade de conhecer.
Hoje, porém, não é dia para elogios a escritores mortos (para isso nós temos a veja e outras resvistinhas tupiniquins), e sim – como é de habito do Terrorismos Poético – complicar os costumes locais contestando esses “incontestáveis da literatura”.
Certa vez o autor citado escreveu um conto totalmente dedicado à preguiça, colocando-a como valor e não como “pecado” como queria a sociedade da época.
De acordo com ele a preguiça consta como a procura da ausência de pecados já que é a manifestação humana da vontade de “não fazer absolutamente nada”.
Então, de acordo com ele, ela deveria ser exaltada por ser a antítese do pecado (ato de fazer coisas erradas) e, como tal, muitas vezes impedir atos ilícitos de muitos indivíduos, que, acima de tudo, se apresentam ao mundo como grandes preguiçosos.
Mas, claro, ele falava isso apenas como grande preguiçoso que era.
A mim, porém, a preguiça se apresenta sobre seu aspecto mais asqueroso, a ausência de vida.
Digo isso pois se trata de um sentimento peculiar aos humanos, originado pela lógica no seu lado mais negro, que leva à imobilidade perante o mundo, originado pela lógica, pois parte dela a intenção de permanecer parado, revelando uma força oposta ao instinto primitivo do homem.
Sendo assim, podemos considerar a preguiça o lado mais negro apresentado pela inteligência humana.
Isso por que, ao valorizar a preguiça, valorizamos a progressiva eliminação da vida, gerando um estado vegetal propositado, que nos impossibilita de provocar mudanças no nosso ambiente, sendo esse o propósito mais importante nos animais e, principalmente, nos humanos que (por intermédio da comunicação) tem altas possibilidades de realização, sendo seu dever como ser pensante participar ativamente do mundo a sua volta.
Sendo assim intitulo a preguiça como o mais pecaminoso – a pesar de não gostar dessa palavra – sentimento dos homens e também como um paradoxo interessante, ja que, por ser fruto da lógica, ela nada mais é que o auge do ser humano (o pensamento) trabalhando de forma a torná-lo menos que qualquer outro ser-vivo, nada mais que uma pedra sentada diante de uma televisão no conforto de seu domicílio.
Hoje, porém, não é dia para elogios a escritores mortos (para isso nós temos a veja e outras resvistinhas tupiniquins), e sim – como é de habito do Terrorismos Poético – complicar os costumes locais contestando esses “incontestáveis da literatura”.
Certa vez o autor citado escreveu um conto totalmente dedicado à preguiça, colocando-a como valor e não como “pecado” como queria a sociedade da época.
De acordo com ele a preguiça consta como a procura da ausência de pecados já que é a manifestação humana da vontade de “não fazer absolutamente nada”.
Então, de acordo com ele, ela deveria ser exaltada por ser a antítese do pecado (ato de fazer coisas erradas) e, como tal, muitas vezes impedir atos ilícitos de muitos indivíduos, que, acima de tudo, se apresentam ao mundo como grandes preguiçosos.
Mas, claro, ele falava isso apenas como grande preguiçoso que era.
A mim, porém, a preguiça se apresenta sobre seu aspecto mais asqueroso, a ausência de vida.
Digo isso pois se trata de um sentimento peculiar aos humanos, originado pela lógica no seu lado mais negro, que leva à imobilidade perante o mundo, originado pela lógica, pois parte dela a intenção de permanecer parado, revelando uma força oposta ao instinto primitivo do homem.
Sendo assim, podemos considerar a preguiça o lado mais negro apresentado pela inteligência humana.
Isso por que, ao valorizar a preguiça, valorizamos a progressiva eliminação da vida, gerando um estado vegetal propositado, que nos impossibilita de provocar mudanças no nosso ambiente, sendo esse o propósito mais importante nos animais e, principalmente, nos humanos que (por intermédio da comunicação) tem altas possibilidades de realização, sendo seu dever como ser pensante participar ativamente do mundo a sua volta.
Sendo assim intitulo a preguiça como o mais pecaminoso – a pesar de não gostar dessa palavra – sentimento dos homens e também como um paradoxo interessante, ja que, por ser fruto da lógica, ela nada mais é que o auge do ser humano (o pensamento) trabalhando de forma a torná-lo menos que qualquer outro ser-vivo, nada mais que uma pedra sentada diante de uma televisão no conforto de seu domicílio.
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Deixemos de ser egoístas e vamos pensar em nós mesmos
No mundo existem diferentes correntes de pensamento sobre tudo, tantas que (muitas vezes) os homens as utilizam incorretamente para justificar sua imobilidade social, tornando-se assim admiráveis sábios estáticos ou abominam aqueles que prezam pelo bem estar humano e vão salvar as baleias.
Nada contra as baleias, inclusive considero esses animais bem simpáticos, porém ao desprezar o humanismo esses seres (humanos, não baleias) abrem mão daquilo que lhes é mais caro, e que possibilitou toda a evolução de sua espécie (eu sei, parece que não foi tanta, mas ainda assim...), a lógica racional e “Sapiens”.
O ser humano, acredita-se, é o único ser racional de nosso planeta, e como tal tem a habilidade de promover alterações no ambiente de forma programada, e isso é uma qualidade bem admirável. Porém a primeira atitude para promover tais alterações com consciência é tomar conhecimento de sua própria estrutura mental, social e filosófica, e alterá-la. Sendo assim, a primeira atitude do humano deve ser sempre se tornar humanista, para que o instinto não lhe engane ao longo de sua jornada.
Nessa jornada em prol do bem estar humano o indivíduo poderá perceber que um desenvolvimento sustentável ecológico só poderá ser possível quando congruente com o social, já que como animal o homo sapiens tem como fundamento principal a sobrevivência de sua espécie e, bem, nossa espécie não está exatamente como ideal. Perceberá, então, que o homem irá matar baleias se o seu filho está passando fome, o problema então não se trata de baleias, se trata de fome.
“Mas”, assim dirão os mais fundamentalistas, “o homem mesmo quando alimentado continua a matar por ganância”, nesse caso então, o problema não é a morte da baleia, e sim o pensamento humano, tal pensamento pode mesmo influenciar no bem estar de seus semelhantes, o problema no caso deve ser resolvido no campo lógico da sociedade e não na defesa dos nossos simpáticos animais.
E há ainda vários exemplos do gênero, mas acredito na capacidade do leitor de deduzi-los, pois mais que apenas humanista me vejo também como um positivista que (pasmem) acredita sim no “ecologismo”, porém apenas para assuntos referentes ao ambiente (como quando encalham grandes mamíferos nas praias), pois, no final das contas, as baleias são animais tão simpáticos.
Nada contra as baleias, inclusive considero esses animais bem simpáticos, porém ao desprezar o humanismo esses seres (humanos, não baleias) abrem mão daquilo que lhes é mais caro, e que possibilitou toda a evolução de sua espécie (eu sei, parece que não foi tanta, mas ainda assim...), a lógica racional e “Sapiens”.
O ser humano, acredita-se, é o único ser racional de nosso planeta, e como tal tem a habilidade de promover alterações no ambiente de forma programada, e isso é uma qualidade bem admirável. Porém a primeira atitude para promover tais alterações com consciência é tomar conhecimento de sua própria estrutura mental, social e filosófica, e alterá-la. Sendo assim, a primeira atitude do humano deve ser sempre se tornar humanista, para que o instinto não lhe engane ao longo de sua jornada.
Nessa jornada em prol do bem estar humano o indivíduo poderá perceber que um desenvolvimento sustentável ecológico só poderá ser possível quando congruente com o social, já que como animal o homo sapiens tem como fundamento principal a sobrevivência de sua espécie e, bem, nossa espécie não está exatamente como ideal. Perceberá, então, que o homem irá matar baleias se o seu filho está passando fome, o problema então não se trata de baleias, se trata de fome.
“Mas”, assim dirão os mais fundamentalistas, “o homem mesmo quando alimentado continua a matar por ganância”, nesse caso então, o problema não é a morte da baleia, e sim o pensamento humano, tal pensamento pode mesmo influenciar no bem estar de seus semelhantes, o problema no caso deve ser resolvido no campo lógico da sociedade e não na defesa dos nossos simpáticos animais.
E há ainda vários exemplos do gênero, mas acredito na capacidade do leitor de deduzi-los, pois mais que apenas humanista me vejo também como um positivista que (pasmem) acredita sim no “ecologismo”, porém apenas para assuntos referentes ao ambiente (como quando encalham grandes mamíferos nas praias), pois, no final das contas, as baleias são animais tão simpáticos.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Persuasão
As similaridades do discurso propagandístico soviético - de imagens totalitaristas - com o discurso americano e de marcas típicas americanas.
O slideshow é um pouco bruto, mas muito interessante.
Em outras notícias: Esse feriado me dará tempo para ler este blog. Estou com saudade. Escrever também não vai ser uma má idéia. Fiquei muito feliz e motivado de quando, hoje, oManata manifestou sua opinião sobre o blog.
;)
O slideshow é um pouco bruto, mas muito interessante.
Em outras notícias: Esse feriado me dará tempo para ler este blog. Estou com saudade. Escrever também não vai ser uma má idéia. Fiquei muito feliz e motivado de quando, hoje, oManata manifestou sua opinião sobre o blog.
;)
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Sobre Besouros Tédio e Devaneio
Sentado no fundo da sala encarava o professor, que sempre falava durante as aulas, quando entrou um besouro pela janela, e como ele não estava interessado mesmo em palavras passou a encarar o besouro. Não que a aula fosse propriamente chata, mas que aquele dia ele estava mesmo para besouros.
Chamava-se Roberto (o aluno, não o besouro), mas isso não faz muita importância, já que o besouro tinha entrado pela janela.
O que importa é que quando artrópodes entram pela janela e capturam sua atenção não realmente capturam sua atenção, mas liberam uma livre cadeia de devaneios que são mantidos através do contato visual com o animal. Sendo assim, toda a sala agora havia se transformado em besouros, e Roberto se mantinha atento aos seus movimentos.
Reparou então como besouro da Júlia era lindo, louro e fazia covinhas quando ria (e como era bonito quando era louro e com covinhas). Agora, porém, estava parada de costas para ele prestando atenção no que o professor explicava balançando suas finas patinhas, e respondia suas perguntas zumbindo imediatamente, de modo tão sutil gracioso que ele adorava ouvi-la zumbir.
O Beto (apelido do nosso herói) até gostaria de tê-la em sua coleção, mas caçava besouros muito mal, e de que adiantava o esforço se já podia dali reparar em seu zumbido. E por que se entediou dela, ou por que doía demais pensar em besouras, passou a relembrar de besouros passados (que se pareciam bastante com aquele sentado a três carteiras dele), os chamados besouros saudade.
Mas como o autor já explorou de mais esse tema a personagem resolveu mudar de pensamento.
E até começou a pensar em como acabar com os problemas políticos e sociais do mundo de artrópodes, mas o “besouro original” saiu pela outra janela, e o devaneio acabou em tédio mesmo...
Chamava-se Roberto (o aluno, não o besouro), mas isso não faz muita importância, já que o besouro tinha entrado pela janela.
O que importa é que quando artrópodes entram pela janela e capturam sua atenção não realmente capturam sua atenção, mas liberam uma livre cadeia de devaneios que são mantidos através do contato visual com o animal. Sendo assim, toda a sala agora havia se transformado em besouros, e Roberto se mantinha atento aos seus movimentos.
Reparou então como besouro da Júlia era lindo, louro e fazia covinhas quando ria (e como era bonito quando era louro e com covinhas). Agora, porém, estava parada de costas para ele prestando atenção no que o professor explicava balançando suas finas patinhas, e respondia suas perguntas zumbindo imediatamente, de modo tão sutil gracioso que ele adorava ouvi-la zumbir.
O Beto (apelido do nosso herói) até gostaria de tê-la em sua coleção, mas caçava besouros muito mal, e de que adiantava o esforço se já podia dali reparar em seu zumbido. E por que se entediou dela, ou por que doía demais pensar em besouras, passou a relembrar de besouros passados (que se pareciam bastante com aquele sentado a três carteiras dele), os chamados besouros saudade.
Mas como o autor já explorou de mais esse tema a personagem resolveu mudar de pensamento.
E até começou a pensar em como acabar com os problemas políticos e sociais do mundo de artrópodes, mas o “besouro original” saiu pela outra janela, e o devaneio acabou em tédio mesmo...
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Neil Young
Sempre gostei deste músico. Neil Young é um dos poucos artistas mundialmente famosos que ainda tem consciência. Grande defensor da causa dos nativos americanos.
Eis um de seus recentes trabalhos. Gostei bastante da letra.
"Let's impeach the president for lying
And leading our country into war
Abusing all the power that we gave him
And shipping all our money out the door
He's the man who hired all the criminals
The White House shadows who hide behind closed doors
And bend the facts to fit with their new stories
Of why we have to send our men to war
Let's impeach the president for spying
On citizens inside their own homes
Breaking every law in the country
By tapping our computers and telephones
What if Al Qaeda blew up the levees
Would New Orleans have been safer that way
Sheltered by our government's protection
Or was someone just not home that day?
Let's impeach the president
For hijacking our religion and using it to get elected
Dividing our country into colors
And still leaving black people neglected
Thank god he's racking down on steroids
Since he sold his old baseball team
There's lot of people looking at big trouble
But of course the president is clean
Thank God "
Eis um de seus recentes trabalhos. Gostei bastante da letra.
"Let's impeach the president for lying
And leading our country into war
Abusing all the power that we gave him
And shipping all our money out the door
He's the man who hired all the criminals
The White House shadows who hide behind closed doors
And bend the facts to fit with their new stories
Of why we have to send our men to war
Let's impeach the president for spying
On citizens inside their own homes
Breaking every law in the country
By tapping our computers and telephones
What if Al Qaeda blew up the levees
Would New Orleans have been safer that way
Sheltered by our government's protection
Or was someone just not home that day?
Let's impeach the president
For hijacking our religion and using it to get elected
Dividing our country into colors
And still leaving black people neglected
Thank god he's racking down on steroids
Since he sold his old baseball team
There's lot of people looking at big trouble
But of course the president is clean
Thank God "
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Welles

1938, nesta mesma data, ia ao ar a adaptação do romance de H.G.Wells "Guerra dos mundos".
Adaptação feita por Orson Welles, de maneira a parecer real - com relatos de jornalistas e boletins de constantes repletas de relatórios a respeito da invasão dos aliens -.
Milhares de pessoas entraram em estado de histeria, fugindo de suas casas, se trancando em bunkers.
Sem querer, Welles mostrou o poder de uma mídia sobre uma audiência.
Que aqui fique esta 'silênciosa' homenagem.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Cansei!
declaro que cansei do realismo realista, e que tentarei passar agora para algum tipo de realismo fantástico, quem não goste paciência, já estou me sentindo mediocre o bastante...
Mas antes disso posto meu último (será?) conto no antigo estilo, em um tipo de saudosismo sem saudades...
______________________________________________________________________________________________________
Domingo...
Ele acordou aquele dia querendo escrever um conto sobre mulheres, mas depois de escrever cinco linhas descobriu assustado que não entendia nada de mulheres e por isso acendeu um cigarro (como se o cigarro fosse adiantar alguma coisa), procurando na fumaça alguma inspiração.
Constatou, então, que um conto sobre fumaça era ridículo.
Soubesse ele que eram cinco para as quatro iria para o bar, e encontraria Ana, deixando de vez o conto sobre fumaças, mas era domingo e domingo agente não pensa direito, por isso deixou-se ficar, desesperado pela palavra que não lhe vinha à mente.
Viu-se, então, a andar pela sala procurando nas paredes que um dia foram brancas (a empregada não vinha fazia tempo) as memórias de um tempo passado e perdido, na esperança de ter nas mulheres que amou aquela protagonista de seu conto. Mas nem tinha amado tantas mulheres assim, e o chão começou a faltar-lha na saudade de um tempo não vivido.
Ai que a vida passava, a desesperança se abatia e a sala parecia menor.
Foi que buscou nos amigos um antigo fato ainda não contado, e percebeu que os “amigos de fato” haviam sumido. É certo, porém que convivia com alguns que o faziam rir, mas desses nem valia a pena escrever, eram por demasiado fúteis e lhe deixavam angustiado pela falta daqueles passados e já extintos. Onde estaria o telefone do Rubens?
Foi então à cozinha para pegar um copo d’água, mas não havia palavras dentro do copo, e o escritor morria lentamente.
E por que ele não sabia o que fazer acabou olhando pela janela, primeiro para o mar, depois para o cristo e então para a menina que passava sorrindo com algumas amigas, indo se sentar em um quiosque a duas quadras dali.
Saiu então, para tentar buscar assunto pro seu conto, mas não sem antes ligar para alguns amigos fúteis e lembrar de algumas namoradas que nem gostava tanto...
Mas antes disso posto meu último (será?) conto no antigo estilo, em um tipo de saudosismo sem saudades...
______________________________________________________________________________________________________
Domingo...
Ele acordou aquele dia querendo escrever um conto sobre mulheres, mas depois de escrever cinco linhas descobriu assustado que não entendia nada de mulheres e por isso acendeu um cigarro (como se o cigarro fosse adiantar alguma coisa), procurando na fumaça alguma inspiração.
Constatou, então, que um conto sobre fumaça era ridículo.
Soubesse ele que eram cinco para as quatro iria para o bar, e encontraria Ana, deixando de vez o conto sobre fumaças, mas era domingo e domingo agente não pensa direito, por isso deixou-se ficar, desesperado pela palavra que não lhe vinha à mente.
Viu-se, então, a andar pela sala procurando nas paredes que um dia foram brancas (a empregada não vinha fazia tempo) as memórias de um tempo passado e perdido, na esperança de ter nas mulheres que amou aquela protagonista de seu conto. Mas nem tinha amado tantas mulheres assim, e o chão começou a faltar-lha na saudade de um tempo não vivido.
Ai que a vida passava, a desesperança se abatia e a sala parecia menor.
Foi que buscou nos amigos um antigo fato ainda não contado, e percebeu que os “amigos de fato” haviam sumido. É certo, porém que convivia com alguns que o faziam rir, mas desses nem valia a pena escrever, eram por demasiado fúteis e lhe deixavam angustiado pela falta daqueles passados e já extintos. Onde estaria o telefone do Rubens?
Foi então à cozinha para pegar um copo d’água, mas não havia palavras dentro do copo, e o escritor morria lentamente.
E por que ele não sabia o que fazer acabou olhando pela janela, primeiro para o mar, depois para o cristo e então para a menina que passava sorrindo com algumas amigas, indo se sentar em um quiosque a duas quadras dali.
Saiu então, para tentar buscar assunto pro seu conto, mas não sem antes ligar para alguns amigos fúteis e lembrar de algumas namoradas que nem gostava tanto...
domingo, 30 de setembro de 2007
Tropas
Pessoas, pássaros... apenas passageiros;
Viajantes vorazes voando por um vilarejo;
Sussurram suspirando... Silenciam sem nada saber;
A mesma resposta corrói todos os porquês... Por quê?
Tropas trotando, tremendo ao tempo,
Se Arrastando, se rastejando, se rendendo...
Ajoelhados, humilhados por pão;
Ora procuram, ora choram... Que horas são?
Viajantes vorazes voando por um vilarejo;
Sussurram suspirando... Silenciam sem nada saber;
A mesma resposta corrói todos os porquês... Por quê?
Tropas trotando, tremendo ao tempo,
Se Arrastando, se rastejando, se rendendo...
Ajoelhados, humilhados por pão;
Ora procuram, ora choram... Que horas são?
Jô
Ele acordou aquele dia com mais uma mulher desconhecida em sua cama (chama da Maria, talvez) e com suas costumeiras dores de cabeça. E depois de um breve café da manhã constatou que nem a cama, nem a casa, eram realmente dele, e foi-se embora deixando para trás um adorável bilhete apaixonado, como havia se acostumado a fazer com o passsar dos anos.
O desgosto que apresentava, porém, não era condizente a um homem que havia acabado de acordar de uma boa noite de sexo, mas de mais um angustiado que anda pela rua a chutar latinhas, como em alguma cena de um filme já esquecido. Acontece que João sofre de um mal comum a alguns artistas modernos, a falta de uma musa, objeto de desejo tão importantes a aqueles que se dizem escritores.
E foi por uma dessas forças inexplicáveis do destino que acabou entrando no café da esquina, pedindo um capuchino para acompanhar seus cigarros. E até poderia entrar por aquela porta um belíssima morena que ele não iria conseguir se concentrar no mundo real, estava uma manhã especial pra devaneios perdidos que aumentam a angustia da gente.
Tudo estaria pessimamente normal não fosse a mosca que persistia em voar em frente ao seu nariz desafiando-o com uma agilidade (e barulho) peculiar somente aos insetos. Foram-se esforços em várias tentativas de assassinato sem nem um resultado, e malditos sejam esses artrópodes, ele pensaria (invocando as antigas aulas de biologia), não fosse ela parar em frente ao quadro numero três - contando da direita para à esquerda - exposto na parede por algum artista desconhecido.
Era uma mulher semi-nua, em tinta a óleo, nas cores vermelha azul preto e branco, dispostas com uma qualidade técnica única, impressionante mesmo a um ignorante das artes plásticas. Mas o que chamou a atenção de nosso amigo era a expressão nos olhos daquela retratada, de uma pureza e delicadeza singela a figuras estáticas, mas que transmitem paixão se o artista for realmente capaz, e aquele era.
Passou então a contemplar a imagem todos os dias de manhã, saindo de casa bem cedo a fim de passar todo o dia conversando com aquele que alguns chamam de objeto inanimado, mas que retribuía a ele toda a atenção e delicadeza necessárias para que Joana (Jô, como ele chamava a figura carinhosamente) se torna-se progressivamente sua única musa.
Acabou por comprar o quadro, e vive hoje um casamento feliz no número 79 da rua Ernani de Mello. O único problema é que ela continua pelada, mas ele já contratou o pintor para lhe dar roupas, afinal quem quer sua mulher se expondo assim para as visitas?
O desgosto que apresentava, porém, não era condizente a um homem que havia acabado de acordar de uma boa noite de sexo, mas de mais um angustiado que anda pela rua a chutar latinhas, como em alguma cena de um filme já esquecido. Acontece que João sofre de um mal comum a alguns artistas modernos, a falta de uma musa, objeto de desejo tão importantes a aqueles que se dizem escritores.
E foi por uma dessas forças inexplicáveis do destino que acabou entrando no café da esquina, pedindo um capuchino para acompanhar seus cigarros. E até poderia entrar por aquela porta um belíssima morena que ele não iria conseguir se concentrar no mundo real, estava uma manhã especial pra devaneios perdidos que aumentam a angustia da gente.
Tudo estaria pessimamente normal não fosse a mosca que persistia em voar em frente ao seu nariz desafiando-o com uma agilidade (e barulho) peculiar somente aos insetos. Foram-se esforços em várias tentativas de assassinato sem nem um resultado, e malditos sejam esses artrópodes, ele pensaria (invocando as antigas aulas de biologia), não fosse ela parar em frente ao quadro numero três - contando da direita para à esquerda - exposto na parede por algum artista desconhecido.
Era uma mulher semi-nua, em tinta a óleo, nas cores vermelha azul preto e branco, dispostas com uma qualidade técnica única, impressionante mesmo a um ignorante das artes plásticas. Mas o que chamou a atenção de nosso amigo era a expressão nos olhos daquela retratada, de uma pureza e delicadeza singela a figuras estáticas, mas que transmitem paixão se o artista for realmente capaz, e aquele era.
Passou então a contemplar a imagem todos os dias de manhã, saindo de casa bem cedo a fim de passar todo o dia conversando com aquele que alguns chamam de objeto inanimado, mas que retribuía a ele toda a atenção e delicadeza necessárias para que Joana (Jô, como ele chamava a figura carinhosamente) se torna-se progressivamente sua única musa.
Acabou por comprar o quadro, e vive hoje um casamento feliz no número 79 da rua Ernani de Mello. O único problema é que ela continua pelada, mas ele já contratou o pintor para lhe dar roupas, afinal quem quer sua mulher se expondo assim para as visitas?
terça-feira, 25 de setembro de 2007
IGNÓBIL
“Você é cego em sua sabedoria”.
já tem um tempo que esta frase anda me seguindo. Dita por um amigo comediante, mas a sério (o que ressaltou sua importância), fez-me sentir a verdadeira visão que o mundo (hostil ou não) tem dessa velha nova cabeça cansada.
A verdade é que minhas opiniões já foram certas e já foram erradas, como são a todos. Com os anos, porém, me tornei incapaz de concordar com o senso comum, mesmo que ele seja realmente o senso correto, e mesmo ontem tive problemas por causa disso.
Não cabe aqui escrever dos problemas relacionados a minha vida pessoal. Digo apenas que, fosse eu Nelson Rodriguez, teria nesse momento escrito mais um dos meus famosos romances para delírio de leitores atônitos (“de onde será que ele tira essas idéias”) e dos editores, que lucrariam rios de dinheiro, como é de praxe.
A verdade é que, me lembrando do comentário de meu amiguinho (o “pensador virtual” Daniel Vargas, só para situar o leitor) recorri a aquele que já foi chamado de pai dos burros, mas que eu denomino como professor de falsos sábios para dar título à mas uma crônica. Porém, fiquei tão excitado com a nova palavra que apaguei os últimos quatro parágrafos, poupando o leitor do “surpreendente” cotidiano de um pseudo-escritor-publicitário-estudante que de nada serviria para as suas vidas cotidianas, da qual dedicam um minuto do dia para lerem um ignóbil falar de uma vida qualquer (em geral sobre mesas de bar).
Por falar nisso, alguém sabe o que é ignóbil?
De acordo com o livrinho citado seria “que não é nobre, que inspira horror do ponto de vista moral, de caráter vil, baixo”, ou (para aqueles que exigem explicação sobre o porquê dessa crônica) o titulo do meu afamado texto não publicado.
É isso, agora que você já conhece essa nova palavra e despreza o escritor por dedicar tantas linhas à uma mísera explicação (feminino de mísero, a qual o dicionário não reconhece, colocando em dúvida a existência de uma palavra tão singela) digo no último parágrafo que sim, esse texto foi uma perda de tempo, mas ressalto que será uma técnica que lhe possibilitará comentar, nem que seja para falar mal de mim, pois já me cansei de comentários ao vivo, ou por qualquer outra via e ficaria extremamente grato por obter um “feed back” no site (feed back é uma expressão americana para a manifestação do público atingido pela ação de uma empresa/pessoa).
Obrigado por sua perda de tempo, e desculpe o transtorno.
já tem um tempo que esta frase anda me seguindo. Dita por um amigo comediante, mas a sério (o que ressaltou sua importância), fez-me sentir a verdadeira visão que o mundo (hostil ou não) tem dessa velha nova cabeça cansada.
A verdade é que minhas opiniões já foram certas e já foram erradas, como são a todos. Com os anos, porém, me tornei incapaz de concordar com o senso comum, mesmo que ele seja realmente o senso correto, e mesmo ontem tive problemas por causa disso.
Não cabe aqui escrever dos problemas relacionados a minha vida pessoal. Digo apenas que, fosse eu Nelson Rodriguez, teria nesse momento escrito mais um dos meus famosos romances para delírio de leitores atônitos (“de onde será que ele tira essas idéias”) e dos editores, que lucrariam rios de dinheiro, como é de praxe.
A verdade é que, me lembrando do comentário de meu amiguinho (o “pensador virtual” Daniel Vargas, só para situar o leitor) recorri a aquele que já foi chamado de pai dos burros, mas que eu denomino como professor de falsos sábios para dar título à mas uma crônica. Porém, fiquei tão excitado com a nova palavra que apaguei os últimos quatro parágrafos, poupando o leitor do “surpreendente” cotidiano de um pseudo-escritor-publicitário-estudante que de nada serviria para as suas vidas cotidianas, da qual dedicam um minuto do dia para lerem um ignóbil falar de uma vida qualquer (em geral sobre mesas de bar).
Por falar nisso, alguém sabe o que é ignóbil?
De acordo com o livrinho citado seria “que não é nobre, que inspira horror do ponto de vista moral, de caráter vil, baixo”, ou (para aqueles que exigem explicação sobre o porquê dessa crônica) o titulo do meu afamado texto não publicado.
É isso, agora que você já conhece essa nova palavra e despreza o escritor por dedicar tantas linhas à uma mísera explicação (feminino de mísero, a qual o dicionário não reconhece, colocando em dúvida a existência de uma palavra tão singela) digo no último parágrafo que sim, esse texto foi uma perda de tempo, mas ressalto que será uma técnica que lhe possibilitará comentar, nem que seja para falar mal de mim, pois já me cansei de comentários ao vivo, ou por qualquer outra via e ficaria extremamente grato por obter um “feed back” no site (feed back é uma expressão americana para a manifestação do público atingido pela ação de uma empresa/pessoa).
Obrigado por sua perda de tempo, e desculpe o transtorno.
sábado, 22 de setembro de 2007
Meu próprio conto de bar
Estive no bar. Muitas pessoas, muitas bebidas e felicidade.
Havia um bêbado que anunciava: "Matei a saudade!"
Eu achava que era poeta;
era nada. Era esquizofrênico.
Sei, pois li que matara a empregada - mas não era a saudade que limpava os móveis, era a mudança.
Doido, morreu sóbrio na cadeia.
Mudança.
Havia um bêbado que anunciava: "Matei a saudade!"
Eu achava que era poeta;
era nada. Era esquizofrênico.
Sei, pois li que matara a empregada - mas não era a saudade que limpava os móveis, era a mudança.
Doido, morreu sóbrio na cadeia.
Mudança.
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
>Crackk!<
A escada de madeira fazia barulho durante a tempestade. Uma escada repleta de memórias; de passagens.
Acordado pelo barulho do ranger da fatigada madeira, lá estava o personagem desta história; você.
A fraca luz acesa sob a velha escada súbitamente apaga; seus olhos demoram algum tempo para se adequar à escuridão; tempo suficiente para refletir e imaginar.
Você reflete em exatamente 1 segundo, sobre tudo que você já viu e o que é - está assustado -.
E imagina sobre 'porque diabos a luz acabou?'.
Em alguma pequeníssima quantidade de tempo depois, seus olhos se acostumam ao escuro, pode agora enxergar a velha escada e o destino para onde ela leva: O priméiro degrau em sua base, totalmente escuro.
"O que há na escuridão?"
Você procura - Imagina - por monstros, fantasmas, licantropos e outras criaturas da mitologia fantástica.
Quando você olha para o escuro, o escuro olha para dentro de você e ele reflete em si os seus medos.
Decepcionado por apenas encontrar o que já possuía, você vira as costas para a escada e retorna com seus medos ao quarto.
Deita-se e diz boa noite para o nada; o nada não responde. Mas você já sabia.
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Qual é do movimento 'discussões de mesa de bar'? O pensador virtual Omanata parece ser o maior lobista desta facção artística(?).
Eu acredito que não é exclusiva propriedade da entidade 'mesa do bar' que propicia o discutir, o expressar. Simplesmente as pessoas passaram terem outras coisas a fazer durante os dias de suas respectivas vidas, deixando de desenvolver assuntos que não sejam relacionados diretamente ao real, ao fato, tendência etc.
Quando as pessoas se encontram na 'mesa do bar' querem falar sobre outra coisa que não seja o cotidiano - no 'mínino' a maioria-, assim desenvolvem os 'papos' sobre o excêntrico.
Acho que é isso.
Acordado pelo barulho do ranger da fatigada madeira, lá estava o personagem desta história; você.
A fraca luz acesa sob a velha escada súbitamente apaga; seus olhos demoram algum tempo para se adequar à escuridão; tempo suficiente para refletir e imaginar.
Você reflete em exatamente 1 segundo, sobre tudo que você já viu e o que é - está assustado -.
E imagina sobre 'porque diabos a luz acabou?'.
Em alguma pequeníssima quantidade de tempo depois, seus olhos se acostumam ao escuro, pode agora enxergar a velha escada e o destino para onde ela leva: O priméiro degrau em sua base, totalmente escuro.
"O que há na escuridão?"
Você procura - Imagina - por monstros, fantasmas, licantropos e outras criaturas da mitologia fantástica.
Quando você olha para o escuro, o escuro olha para dentro de você e ele reflete em si os seus medos.
Decepcionado por apenas encontrar o que já possuía, você vira as costas para a escada e retorna com seus medos ao quarto.
Deita-se e diz boa noite para o nada; o nada não responde. Mas você já sabia.
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Qual é do movimento 'discussões de mesa de bar'? O pensador virtual Omanata parece ser o maior lobista desta facção artística(?).
Eu acredito que não é exclusiva propriedade da entidade 'mesa do bar' que propicia o discutir, o expressar. Simplesmente as pessoas passaram terem outras coisas a fazer durante os dias de suas respectivas vidas, deixando de desenvolver assuntos que não sejam relacionados diretamente ao real, ao fato, tendência etc.
Quando as pessoas se encontram na 'mesa do bar' querem falar sobre outra coisa que não seja o cotidiano - no 'mínino' a maioria-, assim desenvolvem os 'papos' sobre o excêntrico.
Acho que é isso.
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Real
Carlinhos é um grande amigo meu, amigo tão grande que guardo suas palavras para os momentos de desespero que me batem algumas vezes, durante a noite, naquelas horas em que nem eu posso me suportar. O grande problema é que sempre que nos encontramos discutimos, às vezes sobre a vida, às vezes sobre política, e outras sobre futebol (essas acirradas), mas - em geral - é sempre bom discutir com esse homem de óculos finos (como queria Drummond?), por que é dele que nasce uma nova esperança na humanidade.
A última foi sobre o amor, esse assunto tão em moda nas mesas de bares, que nos consumiu mais de duas horas, e que já me consumia semanas inteiras de devaneio.
Acontece que vejo a vida de uma perspectiva um tanto quanto racional e, ao final de mais uma desilusão, formulei aquela que seria a última teoria sobre o sentimento, matando-o para sempre, em prol de uma vida materialista.
Na minha cabeça perturbada, fermentada por algumas teorias de psicologia, o amor nada mais era que a idealização de um personagem do sexo oposto. Não pensava, porém, que se tratava de uma pessoa real, pela qual ao se apaixonar o homem ressaltaria suas qualidades a ponto de torná-la divina, mas de uma figura pré-existente dentro do imaginário masculino, ainda que latente, vindo à tona como uma distorção da realidade, que moldaria uma “pessoa qualquer” naquela idealizada previamente. Para isso, no caso, bastaria ela apresentar uma pequena parte das características desejadas.
Era por isso, eu completava, que era possível perder-se de paixão por uma mulher quase desconhecida, ou deixar de amar alguém que se conhece há anos. A primeira, por ser quase uma desconhecida, pode-se adicionar à criatura qualquer característica que desejar, tornando-a perfeita para se encaixar na mulher ideal. Já na segunda hipótese o homem vê seu mundo destruído por uma realidade incontestável, tornando a fantasia da mulher ideal inconcebível, e assim também o amor.
Por fim eu completava dizendo que qualquer pessoa apresenta para nós apenas parte de sua personalidade, de sua essência, e que a maior parte desse todo é formada por lacunas. O amor, na minha visão, se depositava (em sua maioria) nessas lacunas, permitindo ao individuo moldar a realidade a seu bel-prazer e que, por essa razão, a maioria das paixões nascia por pessoas desconhecidas, as quais podiam – e eram – colocadas de maneira a satisfazer seus desejos íntimos de apreciação.
Acontece que Carlinhos, ao contrario dos outros que tentaram em vão discordar da minha postura, relevou tudo a uma questão de semântica, já que eu considerava toda ilusão ruim, um engano, que deveria a todo custo ser evitado. Carlinhos perguntava, porém, de que importava que fossem apenas ilusões, se ilusões são reais a aqueles que a sentem? Afinal o que mais real a um esquizofrênico que as vozes em sua cabeça? A verdade, dizia ele, não importa aqueles que sentem, por que seus sentimentos já são uma inverdade, estão em algum plano intangível e não podem ser chamados de reais, da maneira como eu queria avaliá-los.
E para finalizar de vez a discussão chamou-me a atenção para a morena que havia acabado de entrar, pela qual ele acabou caindo de amores, durante exatas 48 horas.
E assim se faz Do Mundo (ou Carlinhos, se preferirem), nas palavras de um antigo poeta: “eterno em quanto dure”, pois nada importa alem dos sentimentos presentes e futuros, reais sempre, para se tornarem irreais ao longo da vida, em uma insensatez que torna o mundo interessante. Lição importante, que um grande amigo me ensinou a alguns anos, por trás de óculos finos, sentado em uma mesa de bar.
A última foi sobre o amor, esse assunto tão em moda nas mesas de bares, que nos consumiu mais de duas horas, e que já me consumia semanas inteiras de devaneio.
Acontece que vejo a vida de uma perspectiva um tanto quanto racional e, ao final de mais uma desilusão, formulei aquela que seria a última teoria sobre o sentimento, matando-o para sempre, em prol de uma vida materialista.
Na minha cabeça perturbada, fermentada por algumas teorias de psicologia, o amor nada mais era que a idealização de um personagem do sexo oposto. Não pensava, porém, que se tratava de uma pessoa real, pela qual ao se apaixonar o homem ressaltaria suas qualidades a ponto de torná-la divina, mas de uma figura pré-existente dentro do imaginário masculino, ainda que latente, vindo à tona como uma distorção da realidade, que moldaria uma “pessoa qualquer” naquela idealizada previamente. Para isso, no caso, bastaria ela apresentar uma pequena parte das características desejadas.
Era por isso, eu completava, que era possível perder-se de paixão por uma mulher quase desconhecida, ou deixar de amar alguém que se conhece há anos. A primeira, por ser quase uma desconhecida, pode-se adicionar à criatura qualquer característica que desejar, tornando-a perfeita para se encaixar na mulher ideal. Já na segunda hipótese o homem vê seu mundo destruído por uma realidade incontestável, tornando a fantasia da mulher ideal inconcebível, e assim também o amor.
Por fim eu completava dizendo que qualquer pessoa apresenta para nós apenas parte de sua personalidade, de sua essência, e que a maior parte desse todo é formada por lacunas. O amor, na minha visão, se depositava (em sua maioria) nessas lacunas, permitindo ao individuo moldar a realidade a seu bel-prazer e que, por essa razão, a maioria das paixões nascia por pessoas desconhecidas, as quais podiam – e eram – colocadas de maneira a satisfazer seus desejos íntimos de apreciação.
Acontece que Carlinhos, ao contrario dos outros que tentaram em vão discordar da minha postura, relevou tudo a uma questão de semântica, já que eu considerava toda ilusão ruim, um engano, que deveria a todo custo ser evitado. Carlinhos perguntava, porém, de que importava que fossem apenas ilusões, se ilusões são reais a aqueles que a sentem? Afinal o que mais real a um esquizofrênico que as vozes em sua cabeça? A verdade, dizia ele, não importa aqueles que sentem, por que seus sentimentos já são uma inverdade, estão em algum plano intangível e não podem ser chamados de reais, da maneira como eu queria avaliá-los.
E para finalizar de vez a discussão chamou-me a atenção para a morena que havia acabado de entrar, pela qual ele acabou caindo de amores, durante exatas 48 horas.
E assim se faz Do Mundo (ou Carlinhos, se preferirem), nas palavras de um antigo poeta: “eterno em quanto dure”, pois nada importa alem dos sentimentos presentes e futuros, reais sempre, para se tornarem irreais ao longo da vida, em uma insensatez que torna o mundo interessante. Lição importante, que um grande amigo me ensinou a alguns anos, por trás de óculos finos, sentado em uma mesa de bar.
Um maldito post
Omanata anda reclamando que eu não posto mais; que o blog já morreu; que ele não sabe mais quem é; e que um monte de coisas mais.
Ele não sabe de nada.
Pois: Como vocês mesmos podem constatar - aqui estou -; o blog não é provido de vida - doravante é incapaz de morrer -; Se ele não sabe mais quem é, então quem é que não sabe?
Em outras notícias: Mané da boina perdeu sua boina, aparentemente ele é agora oficialmente apenas mané. Quero vê-lo discordar do raciocínio.
--------------------------------------------------------------------------------
Ademais, ainda estou torcendo para o mundo ser contaminado por um vírus que cause pessoas a retornarem da morte e ansiar por comer os semelhantes.
Talvez se eu escrever sobre isso, aconteça.
Ele não sabe de nada.
Pois: Como vocês mesmos podem constatar - aqui estou -; o blog não é provido de vida - doravante é incapaz de morrer -; Se ele não sabe mais quem é, então quem é que não sabe?
Em outras notícias: Mané da boina perdeu sua boina, aparentemente ele é agora oficialmente apenas mané. Quero vê-lo discordar do raciocínio.
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Ademais, ainda estou torcendo para o mundo ser contaminado por um vírus que cause pessoas a retornarem da morte e ansiar por comer os semelhantes.
Talvez se eu escrever sobre isso, aconteça.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Certezas
A loucura passou para tomar café em uma daquelas tardes gélidas de fins de julho. Lembro-me bem do tempo, por que no dia me faltavam cigarros (fato importante para um fumante) e no desespero mandei vir do armazém um maço de qualquer marca, marcando para sempre o meu paladar.
Mas no meio de todo aquele desespero (pelos cigarros e pela alma já cansada) chegou a antiga amiga, deslumbrante, pronta para iluminar meu dia. Contou-me então de suas antigas aventuras – ela andou pela Bolívia e o Afeganistão – e sorriu, mostrando todos os dentes de uma boca perfeita, e fazendo-me perguntar como durante tanto tempo eu vivi sem a loucura.
Ela, de cabelo preso, fazia pequenos movimentos com os braços enquanto me contava da vida - a qual parecia agradável de sua boca – e olhava-me com um olhar infantil e dócil (daqueles que fazem o homem sorrir ao relembrar seu passado) nas horas em que me pretendia inteligente ao declarar algumas opiniões lidas em livros jogados ou recitava minhas obras tentando alcançar seu estágio de graça. Mas como alcançar algum estágio de graça quando é a loucura que se põe a sua frente?
A noite, então, foi caindo, e a loucura, mais forte, me declarou fraco perante sua presença soberana, fazendo de mim uma simples marionete de seus desejos, os quais eu atendia sem entender bem o porquê, mas feliz apenas de participar, sabendo daquela noite um divisor de águas, com os quais nos deparamos ao longo de nossas vidas. Ai que a loucura veio dormir dentro de mim, mais que eu dela, nos fazendo um só, como diriam os mais românticos.
E de manhã acordou exuberante, resplandecendo toda beleza de um cabelo mal arrumado e de uma cara cheia de sono, como só as mulheres sabem fazer. Disse-me, com um sorriso, que voltava de tarde, para acabar de colocar o papo em dia, e não voltou.
Minha loucura não era tão certa, afinal.
Mas no meio de todo aquele desespero (pelos cigarros e pela alma já cansada) chegou a antiga amiga, deslumbrante, pronta para iluminar meu dia. Contou-me então de suas antigas aventuras – ela andou pela Bolívia e o Afeganistão – e sorriu, mostrando todos os dentes de uma boca perfeita, e fazendo-me perguntar como durante tanto tempo eu vivi sem a loucura.
Ela, de cabelo preso, fazia pequenos movimentos com os braços enquanto me contava da vida - a qual parecia agradável de sua boca – e olhava-me com um olhar infantil e dócil (daqueles que fazem o homem sorrir ao relembrar seu passado) nas horas em que me pretendia inteligente ao declarar algumas opiniões lidas em livros jogados ou recitava minhas obras tentando alcançar seu estágio de graça. Mas como alcançar algum estágio de graça quando é a loucura que se põe a sua frente?
A noite, então, foi caindo, e a loucura, mais forte, me declarou fraco perante sua presença soberana, fazendo de mim uma simples marionete de seus desejos, os quais eu atendia sem entender bem o porquê, mas feliz apenas de participar, sabendo daquela noite um divisor de águas, com os quais nos deparamos ao longo de nossas vidas. Ai que a loucura veio dormir dentro de mim, mais que eu dela, nos fazendo um só, como diriam os mais românticos.
E de manhã acordou exuberante, resplandecendo toda beleza de um cabelo mal arrumado e de uma cara cheia de sono, como só as mulheres sabem fazer. Disse-me, com um sorriso, que voltava de tarde, para acabar de colocar o papo em dia, e não voltou.
Minha loucura não era tão certa, afinal.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Naufrágio
Cataratas de lágrimas poluídas,
Pela hostil hipocrisia desse mundo,
O impediam de ver a cor da vida,
E lhe refletiam um pavor profundo.
Um cego, que andava em um destino oblíquo,
Guiado por mentiras de um mundo iníquo;
Um velho, pra sempre, perdido em sua cripta,
Em delírio eterno com a luz do dia;
Um mendigo à espera do rastro da orgia,
Saciando a dor de uma vida insípida;
Uma vítima de um futuro mordaz,
Que pra todos é só mais um que aqui jaz.
Muitos acreditam em um eufemismo:
O rio da vida leva a um mar de graças,
Mas para o náufrago foi uma atroz cascata,
Que o arrastou para um voraz abismo.
O seu local no rio era demais estreito,
E mesmo tentando resistir até a foz,
Com as austeras correntes do leito,
A distinção alheia foi o magno algoz.
A nascente da vida gerou um filho
Que vagou à margem como um andarilho;
Agora a foz do destino liberta o mau,
Que naufraga finalmente o marginal.
Pela hostil hipocrisia desse mundo,
O impediam de ver a cor da vida,
E lhe refletiam um pavor profundo.
Um cego, que andava em um destino oblíquo,
Guiado por mentiras de um mundo iníquo;
Um velho, pra sempre, perdido em sua cripta,
Em delírio eterno com a luz do dia;
Um mendigo à espera do rastro da orgia,
Saciando a dor de uma vida insípida;
Uma vítima de um futuro mordaz,
Que pra todos é só mais um que aqui jaz.
Muitos acreditam em um eufemismo:
O rio da vida leva a um mar de graças,
Mas para o náufrago foi uma atroz cascata,
Que o arrastou para um voraz abismo.
O seu local no rio era demais estreito,
E mesmo tentando resistir até a foz,
Com as austeras correntes do leito,
A distinção alheia foi o magno algoz.
A nascente da vida gerou um filho
Que vagou à margem como um andarilho;
Agora a foz do destino liberta o mau,
Que naufraga finalmente o marginal.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Saudade
É verdade que no homem existe sempre alguma passargada, e se ele ainda não a tem não se pode descrever esse homem como um homem feliz. São das passargadas que tecemos nossa personalidade e é delas que nos vem o sustento para enfrentar o dia-a-dia infernal. O problema maior é retornar a ela, desfazendo o sonho em simples realidade, um impacto que poucos agüentam e, que por inexperiência ou coragem, muitos buscam.
Há muito eu conheci um homem solitário que havia traçado esse destino, e por isso vivia nas ruas em busca de um novo rumo. Dissera a mim em uma mesa de bar, como convêm a esses personagens, que na sua juventude havia se apaixonado por uma mulher, mas que tivera que desistir do namoro para ir atrás de seu sonho (se tornar médico), e assim, após o último beijo teve que partir para a capital, pensando que nunca iria voltar a ver aquela moça.
Lá muito fez, se formando como primeiro da turma e já iniciando uma inigualável escalada para o sucesso, sendo, ao fim de alguns anos, reconhecido internacionalmente na sua área de atuação (pneumologia, para aqueles que sempre exigem do autor explicações detalhadas).
Para esses informo também que o nome de tal criatura era Pedro Alvim, Pepe para os íntimos (nas mesas de bar todos se tornam íntimos), e que - independente do nome - sua história continuou a mesma até um dia ser apresentado por um amigo ao Ricardo.
Não que este tenha de alguma forma lhe prejudicado conscientemente, ele nunca faria uma coisa dessas, mais seu sobrenome era Oliveira, o mesmo da antiga namorada, e apenas essa fagulha de lembrança foi o suficiente para ascender em nosso amigo o fogo de uma poderosa passargada.
Não vou descrever aqui tudo aquilo que ele sentiu ao longo de dois meses - sei como isso é cansativo afinal fui o primeiro a escutar a história – digo apenas que, tão forte foi sua passargada, que ele chegou a estar apaixonado pelo homem apenas em razão do seu nome, e só descobriu a verdade quando Ricardo o correspondeu. Porém ao invés de se afastar do pensamento ele acabou afundando ainda mais em suas meditações sobre o passado (com a mulher, não com o Ricardo), o que não era de maneira nem uma tortura.
Inclusive era à suas meditações que recorria nos momentos de maior angustia, pois considerava toda aquela história vivida extremamente agradável e distante, podendo inventar pequenos detalhes que a engrandeciam ainda mais, até que resolveu ir-se embora para passargada.
Partiu, então, dessa vez de volta ao ponto de partida buscando encontrar o sonho que havia perdido. Mal sabia ele que ao chegar na cidade iria encontra um mundo totalmente novo regado a carros de boi e grandes pastagens que ele, passados quinze anos, já não entendia o significado. E a moça até então tão Oliveira nem era mais moça, mas um pálido reflexo daquilo que fora sua paixão, entretanto consegui reatar laços e deixou-se ficar, vendo seu mundo imaginário despedaçar a cada defeito percebido.
Foi depois de alguns meses que finalmente encontrou seu destino, uma garrafa de uísque guardada no fundo da mala como lembrança de um tempo perdido, e no meio da sua embriaguez se deixou ficar, primeiro no banco da praça e depois no bar, onde só passou pra dissuadir um escritor forasteiro a voltar para sua própria passargada.
Disse ele que da ilusão é feito o homem, e que de ilusão viverá, mesmo que pense ter encontrado a realidade. A seu ver realidade nada mais é que uma maneira pessimista de ver o mundo, pois esse é apenas aquilo que enxergamos, e nele nos moldamos. E para isso servem as passargadas, para nos iludir do que fomos e seguirmos ainda mais forte, pois em um mundo ilusório-real nunca haverá mais necessidade que visitar sua própria fantasia, deixando-a moldar seu pensamento futuro sem o medo das restrições passadas, finalizando com uma expressão qualquer de dor (a qual eu não entendi bem) por ter perdido sua passargada.
E parecia tão certo de si que eu nem continuei a viagem, voltei para o mundo “real” com alguns versos inconfidentes na cabeça (são esses os sítios / são esses...) e um peso no coração, mas com a tranqüilidade de saber que, em algum lugar, sempre serei amigo do Rei...
Há muito eu conheci um homem solitário que havia traçado esse destino, e por isso vivia nas ruas em busca de um novo rumo. Dissera a mim em uma mesa de bar, como convêm a esses personagens, que na sua juventude havia se apaixonado por uma mulher, mas que tivera que desistir do namoro para ir atrás de seu sonho (se tornar médico), e assim, após o último beijo teve que partir para a capital, pensando que nunca iria voltar a ver aquela moça.
Lá muito fez, se formando como primeiro da turma e já iniciando uma inigualável escalada para o sucesso, sendo, ao fim de alguns anos, reconhecido internacionalmente na sua área de atuação (pneumologia, para aqueles que sempre exigem do autor explicações detalhadas).
Para esses informo também que o nome de tal criatura era Pedro Alvim, Pepe para os íntimos (nas mesas de bar todos se tornam íntimos), e que - independente do nome - sua história continuou a mesma até um dia ser apresentado por um amigo ao Ricardo.
Não que este tenha de alguma forma lhe prejudicado conscientemente, ele nunca faria uma coisa dessas, mais seu sobrenome era Oliveira, o mesmo da antiga namorada, e apenas essa fagulha de lembrança foi o suficiente para ascender em nosso amigo o fogo de uma poderosa passargada.
Não vou descrever aqui tudo aquilo que ele sentiu ao longo de dois meses - sei como isso é cansativo afinal fui o primeiro a escutar a história – digo apenas que, tão forte foi sua passargada, que ele chegou a estar apaixonado pelo homem apenas em razão do seu nome, e só descobriu a verdade quando Ricardo o correspondeu. Porém ao invés de se afastar do pensamento ele acabou afundando ainda mais em suas meditações sobre o passado (com a mulher, não com o Ricardo), o que não era de maneira nem uma tortura.
Inclusive era à suas meditações que recorria nos momentos de maior angustia, pois considerava toda aquela história vivida extremamente agradável e distante, podendo inventar pequenos detalhes que a engrandeciam ainda mais, até que resolveu ir-se embora para passargada.
Partiu, então, dessa vez de volta ao ponto de partida buscando encontrar o sonho que havia perdido. Mal sabia ele que ao chegar na cidade iria encontra um mundo totalmente novo regado a carros de boi e grandes pastagens que ele, passados quinze anos, já não entendia o significado. E a moça até então tão Oliveira nem era mais moça, mas um pálido reflexo daquilo que fora sua paixão, entretanto consegui reatar laços e deixou-se ficar, vendo seu mundo imaginário despedaçar a cada defeito percebido.
Foi depois de alguns meses que finalmente encontrou seu destino, uma garrafa de uísque guardada no fundo da mala como lembrança de um tempo perdido, e no meio da sua embriaguez se deixou ficar, primeiro no banco da praça e depois no bar, onde só passou pra dissuadir um escritor forasteiro a voltar para sua própria passargada.
Disse ele que da ilusão é feito o homem, e que de ilusão viverá, mesmo que pense ter encontrado a realidade. A seu ver realidade nada mais é que uma maneira pessimista de ver o mundo, pois esse é apenas aquilo que enxergamos, e nele nos moldamos. E para isso servem as passargadas, para nos iludir do que fomos e seguirmos ainda mais forte, pois em um mundo ilusório-real nunca haverá mais necessidade que visitar sua própria fantasia, deixando-a moldar seu pensamento futuro sem o medo das restrições passadas, finalizando com uma expressão qualquer de dor (a qual eu não entendi bem) por ter perdido sua passargada.
E parecia tão certo de si que eu nem continuei a viagem, voltei para o mundo “real” com alguns versos inconfidentes na cabeça (são esses os sítios / são esses...) e um peso no coração, mas com a tranqüilidade de saber que, em algum lugar, sempre serei amigo do Rei...
Alem do cidadao Kane
http://video.google.com/videoplay?docid=-570340003958234038
Descrição do vídeo:
Além do Cidadão Kane é um documentário produzido pela BBC de Londres - proibido no Brasil desde a estréia, em 1993, por decisão judicial - que trata das relações sombrias entre a Rede Globo de Televisão, na pessoa de Roberto Marinho, com o cenário político brasileiro.
- Os cortes e manipulações efetuados na edição do último debate entre Luiz Inácio da Silva e Fernando Collor de Mello, que influenciaram a eleição de 1989.
- Apoio a ditadura militar e censura a artistas, como Chico Buarque que por anos foi proibido de ter seu nome divulgado na emissora.
- Criação de mitos culturalmente questionáveis, veiculação de notícias frívolas e alienação humana.
- Depoimentos de Leonel Brizola, Chico Buarque, Washington Olivetto, entre outros jornalistas, historiadores e estudiosos da sociedade brasileira.
"Todo brasileiro deveria ver Além do Cidadão Kane" «
Concordo plenamente. Não que o documentário seja um dogma, mas é com certeza - no mínimo - algo a se pensar sobre.
Descrição do vídeo:
Além do Cidadão Kane é um documentário produzido pela BBC de Londres - proibido no Brasil desde a estréia, em 1993, por decisão judicial - que trata das relações sombrias entre a Rede Globo de Televisão, na pessoa de Roberto Marinho, com o cenário político brasileiro.
- Os cortes e manipulações efetuados na edição do último debate entre Luiz Inácio da Silva e Fernando Collor de Mello, que influenciaram a eleição de 1989.
- Apoio a ditadura militar e censura a artistas, como Chico Buarque que por anos foi proibido de ter seu nome divulgado na emissora.
- Criação de mitos culturalmente questionáveis, veiculação de notícias frívolas e alienação humana.
- Depoimentos de Leonel Brizola, Chico Buarque, Washington Olivetto, entre outros jornalistas, historiadores e estudiosos da sociedade brasileira.
"Todo brasileiro deveria ver Além do Cidadão Kane" «
Concordo plenamente. Não que o documentário seja um dogma, mas é com certeza - no mínimo - algo a se pensar sobre.
domingo, 2 de setembro de 2007
Bush e a ameaça zumbi
Gosto de uma boa brincadeira, ainda mais quando é usada como crítica. Se compartilha desta característica, aperte play.
Não-Post
Hoje é um daqueles dias com muita inspiração, inspiração intensiva e desgastante, que não se pode colocar no papel, e dias assim são os piores paras os escritores. Nessas horas se pensa em tudo e , a algum som que expresse bem tudo que se gostaria de dizer com palavras, nos sofremos, admitindo a impotência da mente perante as soberanas emoções humanas.
Mas ainda assim não me permito a escrever um texto apelativo, contando todo o desgosto que senti do mundo enquanto ajudava um pobre velho cego a tentar achar o caminho da barca, nem mesmo consigo atacar com toda a ferocidade que gostaria a barbárie de um sistema que parece levar minha vida a cada trabalho que realizo, esgotando toda minha pouca criatividade em um melhor método de vender tênis.
Escrevo então sobre futilidades, as quais transpassam pequena parte de toda angustia que os escritores estão acostumados, ou me transporto para cenas do passado, tendo-as como acalanto nas horas em que meu pensamento se torna ainda mais sombrio. Mas isso só após escrever três grandes parágrafos sobre toda a dor que sinto hoje, e apagá-los, como é de costume.
Mas ainda assim não me permito a escrever um texto apelativo, contando todo o desgosto que senti do mundo enquanto ajudava um pobre velho cego a tentar achar o caminho da barca, nem mesmo consigo atacar com toda a ferocidade que gostaria a barbárie de um sistema que parece levar minha vida a cada trabalho que realizo, esgotando toda minha pouca criatividade em um melhor método de vender tênis.
Escrevo então sobre futilidades, as quais transpassam pequena parte de toda angustia que os escritores estão acostumados, ou me transporto para cenas do passado, tendo-as como acalanto nas horas em que meu pensamento se torna ainda mais sombrio. Mas isso só após escrever três grandes parágrafos sobre toda a dor que sinto hoje, e apagá-los, como é de costume.
O Terrorismo Poético
Não, não iremos praticar um atentado contra o Pão-de-Açucar. Toda a ideologia do TP é baseada na não-violência física em prol de uma agressão intangível aos maiores valores da sociedade, ou seja, viemos para quebrar a sua cuca.
Vê-se logo que o Terrorismo consiste na discrepância dentro da arte em prol do pensamento livre. Caracterizando o inverso do que é feito por pessoas normais em vidas normais, que (algumas vezes) desejaríamos ter. Porém, como bons pseudo-artistas, iremos pelo caminho contrario a correnteza, sempre contestando, seja através de imagens, textos ou um não-texto (que pretendemos descobrir como fazer).
Então relaxe e curta a diferença, esse valor mor de todos os redatores, ilustradores e afins do singelo blog que está sendo apresentado.
Bem vindo ao Terrorismo Poético
Vê-se logo que o Terrorismo consiste na discrepância dentro da arte em prol do pensamento livre. Caracterizando o inverso do que é feito por pessoas normais em vidas normais, que (algumas vezes) desejaríamos ter. Porém, como bons pseudo-artistas, iremos pelo caminho contrario a correnteza, sempre contestando, seja através de imagens, textos ou um não-texto (que pretendemos descobrir como fazer).
Então relaxe e curta a diferença, esse valor mor de todos os redatores, ilustradores e afins do singelo blog que está sendo apresentado.
Bem vindo ao Terrorismo Poético
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