segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A Preguiça

Aqueles que conhecem meus hábitos de leitura sabem da fascinação que tenho pela narrativa de Fernando Sabino, em especial por seus escritos da juventude e por uma grande quantidade de contos exímios que já tive a oportunidade de conhecer.
Hoje, porém, não é dia para elogios a escritores mortos (para isso nós temos a veja e outras resvistinhas tupiniquins), e sim – como é de habito do Terrorismos Poético – complicar os costumes locais contestando esses “incontestáveis da literatura”.
Certa vez o autor citado escreveu um conto totalmente dedicado à preguiça, colocando-a como valor e não como “pecado” como queria a sociedade da época.
De acordo com ele a preguiça consta como a procura da ausência de pecados já que é a manifestação humana da vontade de “não fazer absolutamente nada”.
Então, de acordo com ele, ela deveria ser exaltada por ser a antítese do pecado (ato de fazer coisas erradas) e, como tal, muitas vezes impedir atos ilícitos de muitos indivíduos, que, acima de tudo, se apresentam ao mundo como grandes preguiçosos.
Mas, claro, ele falava isso apenas como grande preguiçoso que era.
A mim, porém, a preguiça se apresenta sobre seu aspecto mais asqueroso, a ausência de vida.
Digo isso pois se trata de um sentimento peculiar aos humanos, originado pela lógica no seu lado mais negro, que leva à imobilidade perante o mundo, originado pela lógica, pois parte dela a intenção de permanecer parado, revelando uma força oposta ao instinto primitivo do homem.
Sendo assim, podemos considerar a preguiça o lado mais negro apresentado pela inteligência humana.
Isso por que, ao valorizar a preguiça, valorizamos a progressiva eliminação da vida, gerando um estado vegetal propositado, que nos impossibilita de provocar mudanças no nosso ambiente, sendo esse o propósito mais importante nos animais e, principalmente, nos humanos que (por intermédio da comunicação) tem altas possibilidades de realização, sendo seu dever como ser pensante participar ativamente do mundo a sua volta.
Sendo assim intitulo a preguiça como o mais pecaminoso – a pesar de não gostar dessa palavra – sentimento dos homens e também como um paradoxo interessante, ja que, por ser fruto da lógica, ela nada mais é que o auge do ser humano (o pensamento) trabalhando de forma a torná-lo menos que qualquer outro ser-vivo, nada mais que uma pedra sentada diante de uma televisão no conforto de seu domicílio.

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