quinta-feira, 6 de março de 2008

Viagens

Então São Paulo, Minas e Rio de Janeiro decidiram fazer uma viagem pela América Latina, começando pela Argentina e seguindo pelo Chile, Peru para terminar na misteriosa Bolívia (passando por Foz de Iguaçu em uma parada rápida). Depois dos preparativos iniciais (os famosos como, quanto e onde), mas sem muitos preparativos afinal, partiram de ônibus e mochila.
Ficou decidido que Rio e Minas sairiam de Belo Horizonte, enquanto São Paulo (que na verdade estava em Santa Catarina) sairia sei lá de onde para encontrá-los em Foz , na rodoviária. Não sei direito como foi a partida de SP, que se apresentava como Rodrigo, só podendo realmente comentar de sua parte na viagem efetivamente a partir do encontro dos três, mas sei que o ônibus dele quebrou três vezes durante a viagem deixando-o irritado e aos amigos preocupados com a demora. Porém posso contar exatamente como foi a saída dos outros dois que acordaram bem cedo e foram pegar o ônibus na gelada rodoviária mineira.

Depois da devida despedida com seus familiares (como eles cresceram, cuidado com a mochila etc) se posicionaram nos assentos e puseram-se a reparar nos passageiros, bom, nas mulheres para ser mais exato. Começou, então, uma acalorada discussão sobre a mais bonita, loura, acompanhada pelo namorado, o qual Manata (ou Rio, se preferirem) desejava arduamente que fosse apenas o irmão, deixando à Matheus, como todo bom mineiro, a tarefa de dissuadi-lo com um leve choque de realidade. Mas quem quer viver de realidade?
E se foram, meio dormindo, meio escutando musica, meio mexendo com a mulher de desconhecidos (Manata, claro), até que o semi-carioca (o Rio na verdade é mineiro) resolveu olhar pela janela.
“Bem vindo à Juiz de Fora”
- Matheus, existe outra Juiz de Fora no Brasil?
- Não é aquela mesma.
A viagem ia demorar, afinal...

O Encontro Final

Então eles se encontraram, depois do funeral do amigo, para aquela antiga conversa, difícil, mas que fora o último desejo daquele que havia partido, e não podia lhe ser negado. Á mesa cada um pediu sua bebida (uísque com gelo, em geral) e se encararam, pensando o porquê do estranho pedido de Carlinhos, sem se importar muito, afinal o amigo era cheio de pedidos estranhos.
Nem todos se conheciam, o amigo tinha companheiros espalhados por todo sudeste por causa da sua constante mudança de estados, mas sabiam que, de alguma forma, aqueles rostos tristes um dia o haviam marcado profundamente, e que estavam ali sentados somente aqueles a que ele mais prezava a amizade. Uma profunda tristeza se abatia sobre o grupo, era o final, o amigo finalmente partira.
Não que eles não soubessem que ele seria o primeiro a partir, era bem claro que ele não duraria muito nesse planeta, ele mesmo dizia que estava de passagem, e de passagem rápida. Partiu então, aos 37 anos, como que para confirmar a teoria geral de que nunca se irá morrer velho fumando muito, bebendo e dormindo ridiculamente pouco. O amigo se dizia boêmio, talvez o último boêmio real, e por isso pagará seu preço. Mas ainda que todos soubessem sobre como ele vivia, aquele era Carlinhos e o mundo precisa de gente como ele, como “Do Mundo” podia ter morrido?
Eles ainda balançavam as cabeças para os lados, não acreditavam no que tinham acabado de presenciar, com a sensação de que nunca mais poderiam conviver com aquilo. Aquela vida que, de tanto transbordar do amigo, se esvaziou, deixando cinco desconsolados sentados em algum bar no centro do Rio, o bar que o amigo marcou o último encontro.
E se olharam desconfiados mais uma vez, vendo rostos amigos e desconhecidos, pensando qual era a marca que aquele deixará em cada uma dessas pessoas. Constatando que o amigo, afinal, estava ali, no meio das lembranças de cada um, sentado na cadeira vazia do bar, intervindo no meio de uma possível conversa, e entenderam, pela primeira vez, qual era a intenção do estranho ser a quem costumavam chamar de Do Mundo, e sorriram. Ele queria um último encontro afinal.

terça-feira, 4 de março de 2008

Loucura

A loucura veio para tomar café
Fazia tempo que andava sumida
Conversamos em proza
e dormimos em versos
depois se foi
e eu me casei com uma loura...

Mudou Literalmente o Figurino Cotidiano

Hoje não acordei querendo mudar o mundo
Acordei só
com bois na frente
e carros atrás
chateado, afinal
com meu figurino cotidiano
Hoje não acordei querendo
acordei com dois versos na cabeça
e alguma coisa no coração
Hoje não acordei
abri os olhos apenas
Hoje não
Não
Hoje...